segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O laguinho


 

    Estava a inventar personagens, mas resolvi voltar a minha pessoa. Qualquer dia desses escrevo um romance, viver outros vidas pode ser divertido.

    Hoje queria escrever algo sobre o motivo de todos fazermos o que fazemos. Isso parece bastante difícil visto que cada um faz o que lhe dar na veneta e o que lhe convém. Pois bem, é nesses assuntos difíceis que gosto de entrar e é por eles que faço minha trilha. Qualquer lesma já deve ter parado pra se perguntar por que esta fazendo aquilo, mesmo assim, nossa raça insiste em ser máquina. É impressionante a quantidade de gente que se põe a fazer as coisas, vai fazendo, envelhecendo, imitando e aceitando e acaba por morrer sem saber nem que existiu. Até uma pedra saberia quem é Rei de Seu-rei-mandou-dizer dos dias de hoje. Se ainda tens alguma dúvida, dá uma olhadela, assim com o rabo do olho, como quem não quer nada, ai no canto direito. Veja bem... veja bem.... VEJA Béeem, a situação é a de sempre, alguém manda e alguém obedece. Mas por ser a de sempre FOI não posso aceitar que seja a que sempre SERÁ. Se pensasse o contrário, já teria me atirado de um certo décimo quarto andar. Por mais que vocês cansem, insistirei em citar Paulo Freire enquanto nele acreditar, e portanto ele deixou claro que aceitar que a realidade deve ser como ela é e não de outra maneira é acreditar em pré-determinismo e que não podemos fazer nada para mudar e portanto não temos motivo para viver. Pois assim estamos, a aceitar a realidade e o que é ainda pior, a fazermos menos esforço que os minerais para modificá-la. Sinto certo desgosto em saber quantos adoram assistir uma televisão mas não sabem como está seus pais, sua família, a mesma que compartilha o espaço na hora da novela.

    Outro dia me espantei com uma certa situação que não convém citar mas que me trouxeram algumas reflexões. Ano passado estive inúmeras vezes a me perguntar o que eu queria da vida, hoje tenho um caminho, não sei se será o de amanhã, mesmo que amanhã só esteja a cinco minutos de mim. Um de meus objetivos está bem definido, resta traçar o caminho para que o alcance, porém foi resultado de bastantes reflexões e crises existenciais. Hoje tento colaborar com a crise de alguns amigos que desejo que tenham tanta sorte quanto eu tive na sua busca. A dificuldade não está no fim, sim no meio. No caminho é que se encontra o desenvolvimento e o verdadeiro objetivo. Esse ano está sendo de grandes novidades pra mim, uma delas são as visitas periódicas que faço a um determinado lago, carinhosamente chamado de laguinho. Essas visitas nunca foram o fim, percebo até que não devemos buscar o fim, mas os meios. Talvez esteja errado, mas esse é um grande risco que quem tenta elaborar e expor idéias acaba por correr.

    Temo que a maioria das pessoas, imediatistas e portanto centradas nos fins, continuem por divertir-se diante das televisões e desperdicem sua vida com atividades-fim. Sim porque quem busca uma novela quer emoção, amor e ódio, alegrias, mas não imagina que pode obtê-los de outras formas, obter seus próprios sentimentos. A cada dia noto coisas a que nos habituamos a fazer, pensar e buscar, mas que foi nos imposto. Sexo, drogas e rock'n roll é um bom exemplo. Ninguém pode negar que os seguidores desse lema se divertem, mas eles não serão felizes se não forem durante. Durante é a época mais importante pra qualquer coisa, não é o começo nem o fim, mas o durante.

    Deixo para vocês a sugestão para que visitem o laguinho (ou semelhantes para não haver superlotação!). Espero de verdade que com o tempo e com repetição da meditação, todos nós possamos ficar um pouco mais conscientes de si, entender que somos o que somos e não o que os outros pensam. Podemos ser o que quisermos. Podemos fazer de tudo. Podemos alcançar o que quisermos. Basta refletir. Pensar sobre o que somos e o que estamos fazendo. Será que estamos fazendo para nós, ou apenas para impressionar os outros? O que estamos fazendo é duradouro? Não? Devemos ou não continuar fazendo? Etc. Nos perguntar é a melhor forma de nos afirmar. Para aqueles que querem o exemplo, segue o de Edgar Morín, não importa quem ele foi, importa o que ele pensou.


 

O verdadeiro amor se reconhece naquilo que sobrevive ao coito, enquanto que o desejo sem amor se dissolve na famosa tristeza pós-coital: "homo triste post coitum". Aquele que é sujeito do amor é "felix post coitum".


 

Talvez pra você o que eu escrevi não faça sentido, não me importo, o fará pra alguém. Achou ruim? Por quê? Reflita!


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

2 comentários:

Rafaela Melo disse...

Sinceramente, acho que realmente preciso parar e pensar no porquê de fazer o que eu faço...
Isso é bastante profundo e difícil de ser feito... Pelo menos eu assim considero. Quanto a se jogar de um determinado 14º andar, nem pense nisso. Afinal, quero fazer parte dessas suas inúmeras visitas ao laguinho viu!!!!
Nervosismo toma conta de mim!!! Não entendeu?? Não me importa. Fará sentido para alguém!!! ;)

Unknown disse...

O que dizer desse querido laguinho, que ultimamente tem se tornado um lugar não só de diversão,mas de reflexão.
Confesso que foi a partir de reflexões feitas naquele lugar que percebi que não estou aqui,por estar...
Sei que todos nós passamos por momentos de dúvidas e que muitas vezes são esses momentos que nos fazem perceber o real significado da nossa existência e nosso valor,assim como a importância de termos amigos.
Hoje vejo q tenho q fazer o q quero sem medo de errar, porque errar é humano...aprendo a cada dia com queridos amigos que devo confiar em mim!E sei q num preciso pensar nas coisas como se tivessem só um lado ruim,mas me questionar pq q estão assim e o q estou fazendo para mudá-las...
Adooro o laguinho e adoro vcs amigos!Obrigada mesmo por tudo adoro pensar na vida com vcs!!!Vcs estão me ajudando cada vez mais a me achar nessa vida confusa que todos nós vivemos!

www.desmatamentozero.ig.com.br