Ultimamente este blog esteve entregue as baratas, a poeira rolou solta e tudo porque simplesmente não havia o que contar. Em verdade, até havia, se tem uma coisa de que tenho certeza é que o tempo não para, para? Esses dias até aconteceram algumas coisas, mas eu fui bastante brasileiro, e como tal, me omiti. Não me dei tempo para escrever. Era mais uma coisa em que me abstive. Também não danço há algum tempo. Mas isso não é assunto que interesse a atenção alheia. O escopo está na omissão. As palavras parecem não brotar mais das pontas dos meus dedos. Um costume que está se enraizando em mim é o de assistir os cadernos de cinema da TV Cultura, é realmente um bom conselho para quem gosta de madrugar. Sempre passa filmes bons. Não há um que não tenha me despertado interesse.
Quanto a minha omissão, talvez seja um reflexo a vossa. Um grande conflito interno por que passo é esse, raros são os comentários sobre o que escrevo. Um dia ainda entenderei o motivo desse mutismo. As suposições são muitas, vai da falta de qualidade dos textos a falta de disposição dos leitores, passa pela quantidade de visitas e pela aparência do blog. Mas de uma coisa suspeito, que assim como a maioria dos brasileiros, somos educados a assistir. Tragtenberg já disse que a educação que temos na escola é mais um instrumento de dominação, domesticação do que emancipatório. Não precisa ser gênio para perceber, basta refletir um pouco sobre o que estudamos e como aprendemos. Primeiro aprendemos coisas que não interessa assuntos como química e física não interessam, não como nos ensinam. Poderia ser uma maneira de desenvolver o raciocínio, para isso que se estude matemática. O ensino da maneira que está é profundamente bancário, há uma pessoa cheia de sabedoria que deposita nos cofres vazios dos alunos.
Apesar de o maior problema do Brasil ser realmente a educação, não acredito que seja a falta apenas, mas fundamentalmente a qualidade. Mesmo que nossas escolas, refiro-me como nossas as públicas, fossem todas organizadas, limpas e com professores suficientes e motivados a "ensinar" tudo o que aprenderam, nem assim teríamos um Brasil evoluído. De nada adiantaria termos pessoas "educadas" se fossem todas domesticadas. Assim como já somos. Se no Brasil toda a população fosse formada, com educação superior, e continuasse a se divertir com a TV Globo e todo o leque de opções da mídia golpista, de nada adiantaria. Continuemos a ver Big Brother e os políticos continuaram a fazer essa roubalheira, e nada acontecerá. Por quê? Por que somos tão ativos quanto uma tartaruga, quanto um bicho preguiça ou uma lesma. "Porque o Brasil é tão bom quanto o seu voto!" continuará a ser passado nas nossas faces, e acreditaremos que é verdade em silêncio. Mentira! Mentira! O direito a voto é um dos instrumentos mais fuleros que a democracia nos oferece. Ainda temos a cara de pau de ouvir em silêncio que "há um ano foram diplomados presidente... blá blá blá... em um exemplo mundial ao respeito a democracia!". Isso é desconcertante, é impressionante a covardia presente nessa frase, vinda do Estado, representando o direito eleitoral e mentindo para todos. Desafio qualquer um a me mostrar onde está essa democracia! Democracia não é coisa fácil de realizar, sobretudo nesse país tão miserável educacionalmente falando, digo isso com a propriedade de quem se enoja com a educação oriunda das escolas. É ela que nos faz pensar que o dinheiro é o futuro e que para sermos felizes temos que estudar. É ela que nos mostra o caminho das empresas, do empreendedorismo cruel. Mas para não dizer que não falei das flores, há algumas matérias que entendo como capaz de modificar essa situação. Além do português e da matemática que considero importantes, os fundamentais são história e geografia. São matérias que nos mostram ou pensam que o fazem, um pouco da realidade, atual ou anterior e nos faz pensar um pouco sobre o que está acontecendo, porque, e o que acontecerá. Uma maior intensidade sobre essas duas matérias seria uma forte mudança na capacidade crítica dos educandos-educadores. Porém, a minha fonte de inspiração crítica foi a matéria de redação, apenas ao 3º ano, para suprir uma necessidade domesticadora que é o vestibular, tivemos que estudar sobre vários assuntos da atualidade e a professora, tão nova quanto possível, à época 24 anos, nos fez refletir sobre o que líamos, nos inspirava a ter opinião própria. Muitos obviamente não aproveitaram como eu essa oportunidade, acredito que já por estar dominado plenamente pelo "sistema". Falando no "sistema", vocês acreditam nele? Sim, nesse movimento perceptível porém não palpável que influencia fortemente tudo nas nossas vidas. Nossas leituras, nossas formas de vida.
Semana passada comecei a ler o Best-Seller "O monge e o executivo". Depois de muitas opiniões diferentes, resolvi lê-lo. Se for pra criticá-lo terei agora um pouco mais de argumento, lastro. Talvez esse seja um dos motes desse blog, críticas sobre obras específicas. Talvez suscite alguns debates de forma mais intensa.
Pra quem não tinha o que falar, já o fiz bastante, mas não porei um ponto final nesse texto, o continuarei em breve. Um abraço à todos.
2 comentários:
Pelo parco tempo que screvo algo aqui (que por sinal não tenho escrito), também sinto falta, diego, de comentários...
É difícil saber como podemos melhoar se nem ao menos sabemos o que está errado...
Mas tudo bem, nem tudo nessa vida é perfeito...
Aliás, quase nada o é!!!
Assim como a educação brasileira que é deficitária, na realidade inapta...
Mas, apesar de tudo, sou otimista e acredito que um dia, não sei quantos milênios a frente, rs, o Brasil se torne um país do qual os brasileiros possam se orgulhar...
Pena que de mim só restarão os ossos e os cabelos.
Ah, e quanto a "falta de importância" da química e da física, sem elas, como a história e a geografia poderiam datar qualquer coisa que seja????
:P
Sua observação em relação a química e física é relevante, porém quis relacionar com a formação do ser humano. Não acho que as ciencias exatas sejam inúteis, mas acho as humanas mais importante sobretudo na hora de ser humano. E é isso que falta na educação escolar, libertar as crianças dos parametros do mercado e torná-los mais humanos. Preocupados com o mundo que os rodeia. E pra isso a importância das exatas acredito ser diretamente inferior...
Postar um comentário